Tracionando honda-fit-honda-wrv-comparativo-1-1024x683 Honda WR-V 2018: crossover ou 'Cross Fit'? *Destaque Brasil Crossovers Honda  WR-V versão linha 2018 japonês Fit crossover Brasil
Honda WR-V e Honda Fit negam as origens, mas são bastante parecidos

Você provavelmente tem um amigo no Facebook que compartilha praticamente todos os dias seu empenho no crossfit, um esporte que mistura diversas modalidades e já é uma febre em todo o mundo. A moda já é tão grande que até mesmo a Honda entrou na dança, mas com um modelo que é literalmente um “cross Fit”. O novo Honda WR-V é a mais recente novidade da marca no País e chega para se posicionar abaixo do HR-V.

O novo WR-V é praticamente o sucessor do Fit Twist, versão pseudo-aventureira da antiga geração do monovolume no mercado brasileiro, oferecido por aqui entre os anos de 2012 e 2014. Porém, ai de quem chamar o novo modelo de Fit aventureiro: o novo Honda WR-V está sendo considerado pela Honda como um legítimo crossover de porte compacto, como uma alternativa menor e mais em conta ao HR-V. A intenção da marca é desbancar modelos mais baratos, como Renault Duster e Ford EcoSport.

Porém, será que o novo WR-V é tudo isso mesmo? Logo, para tirar a dúvida, nada melhor que compara-lo com o Fit, seu modelo de base, que inclusive segue sendo vendido normalmente na linha nacional da Honda.

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Honda WR-V 2018

Honda WR-V tem visual mais robusto que o Fit

Praticamente todos os crossovers têm como mote o visual mais robusto. E no WR-V, tal aposta não poderia ser diferente. Em comparação com o monovolume convencional; o novo utilitário-esportivo recebeu uma série de alterações que não se restringem a apenas plásticos pretos em novos pontos da carroceria. A dianteira, por exemplo, está mais alta, devido ao novo capô em posição mais elevada.

Ainda na parte frontal da carroceria, o Honda WR-V traz faróis com desenho mais retilíneo, formando conjunto com a barra cromada com o “H” da marca japonesa no centro; além da tomada de ar preta. Já o para-choque traz novos vincos e detalhes em plástico preto e imitando alumínio. Já nas laterais, há moldura em plástico preto nas caixas de roda, mesmo material encontrado na parte inferior das portas; afora as rodas de liga-leve de 16 polegadas exclusivas e os rack de teto em alumínio.

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Honda Fit 2017

Na traseira, o WR-V 2018 também segue com mudanças significativas em relação ao Fit. As lanternas perderam o prolongamento nas extremidades do vidro (que na verdade foi escondido por um plástico preto), passando a invadir a tampa do porta-malas; que também é nova e incorpora o suporte de placa. Já o para-choque traz parte inferior em plástico preto e porção central imitando alumínio.

Interior do WR-V e do Fit são praticamente idênticos

Se por um lado o visual externo do WR-V recebeu grandes alterações, por outro o interior é quase que idêntico ao do Fit. O painel segue o mesmo desenho, sendo que o diferencial fica por conta apenas do friso que imita alumínio à frente do passageiro da frente. Há o uso abundante de plástico e também de detalhes em preto brilhante e imitando alumínio. A posição de dirigir mais alta, típica de um carro com proposta familiar, também foi mantida.

Para falar que os dois não são idênticos, a Honda mudou a padronagem do tecido dos bancos e das portas do WR-V (oooooh!). No crossover, há tecido em preto e cinza ou preto e laranja (este último disponível apenas para o modelo com carroceria na cor vermelha). No entanto, o fato do WR-V 2018 ter mantido a mesma cabine do Fit acaba sendo benéfico, apesar de tirar um pouco a sensação de exclusividade.

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Honda WR-V 2018

Um dos benefícios do Fit mantido no WR-V é a configuração de bancos Ultra Seat (Utility Long Tall Refresh), que permite diversas configurações de assentos e a acomodação de objetos de grandes dimensões. O modo Utility, por exemplo, consegue formar uma superfície plana, que amplia o espaço útil para acomodar bagagens, com volume superior a 1.000 litros. Tal recurso está disponível também no HR-V.

Lista de equipamentos do WR-V é mais recheada, mas sem bancos de couro

Embora seja mais caro, o Honda WR-V recompensa pela lista de equipamentos mais recheada. O carro oferece airbags de cortina, item não disponível nem como opcional no Fit. Por outro lado, o crossover de entrada da marca japonesa não conta com bancos revestidos em couro, que é oferecido como equipamento de série no monovolume convencional.

A versão EX do WR-V, a mais em conta, é equipada de série com airbags frontais e laterais; freios ABS com EBD;  barras de proteção laterais; estrutura de deformação progressiva ACE (Advanced Compatibility Engineering); sistema de som com tela de cinco polegadas, Bluetooth, entradas USB e auxiliar, leitor de CD, AM/FM e câmera de ré; quatro alto-falantes; direção elétrica; ar-condicionado; vidros, travas e retrovisores elétricos; volante multifuncional em couro com ajuste de altura e profundidade; banco do motorista com regulagem de altura; controle de cruzeiro; luzes diurnas de LED; faróis de neblina; rodas de liga-leve aro 16; retrovisores com repetidores de direção em LED; barras longitudinais no teto, entre outros.

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Honda Fit 2017

O modelo EXL, topo de linha, conta ainda com airbags de cortina e sistema multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas; navegador GPS; WiFi hotspot; duas entradas USB e Bluetooth.

Honda WR-V traz ainda boas alterações mecânicas

Para encarar com maior vigor as buraqueiras das ruas e as estradas esburacadas do nosso País, o novo WR-V recebeu uma série de aprimoramentos mecânicos. De acordo com a marca, “o conjunto dinâmico do WR-V foi projetado para permitir altura do solo; vão livre e ângulos de ataque e saída compatíveis com a proposta de um SUV [crossover, Honda, por favor!], sem comprometer o conforto e a agilidade de um modelo compacto”.

Entre as mudanças, o novo Honda traz suspensão exclusiva adota amortecedores com batente hidráulico e diâmetro de cilindro reforçado; barra estabilizadora mais robusta, projetada para minimizar a rolagem da carroceria; buchas frontais e travessa de suspensão também mais robustas, com enfoque no conforto de rodagem.

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Honda WR-V 2018

O eixo traseiro do WR-V foi desenvolvido tendo como base o HR-V, com maior rigidez. Além disso, a direção elétrica EPS (Electric Power Steering) foi desenvolvida especificamente para a novidade, com raio de manobra de apenas 5,3 metros. Há também rodas com composto de alumínio com liga diferenciada, que reduz o ruído de rodagem, e pneus 195/60; e isoladores instalados em novos pontos do carro.

Com essas mudanças, houve alterações nas dimensões. O entre-eixos passou de 2.530 milímetros para 2.550 mm, enquanto o comprimento foi de 3.998 mm para 4.000 mm; a largura de 1.694 mm para 1.734 mm e a altura de 1.535 mm para 1.599 mm. O vão livre do solo agora é de 20,7 centímetros, enquanto os ângulos de ataque e saída passaram para 21º e 33º, respectivamente.

Ainda nas medidas, o porta-malas tem capacidade para 363 litros, enquanto o tanque de combustível comporta até 45,3 l. Já no peso, a versão EX pesa 1.112 kg, enquanto a EXL pesa 1.130 kg.

Motor do novo crossover da Honda é o mesmo do Fit e City

Sob o capô, nenhuma novidade em relação ao Fit e também ao sedã City (que usa a mesma plataforma). O motor do WR-V é o 1.5 i-VTEC FlexOne, com controle eletrônico variável de sincronização e abertura de válvulas; que consegue desenvolver 115 cavalos com gasolina e 116 cv com etanol, a 6.000 rpm, e torque de 15,2 e 15,3 kgfm, respectivamente, a 4.800 rpm.

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Honda Fit 2017

Este propulsor está associado ao câmbio automático do tipo CVT (continuamente variável) com conversor de torque. Porém, ao contrário do City, a transmissão automática não dispõe de opção de troca manual de marcha sequer pela alavanca no console (no sedã, há ainda paddle shifts atrás do volante).

Com esse conjunto, o WR-V consegue acelerar de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos e tem velocidade máxima de 168 km/h. Já o consumo é de  8,2 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada com etanol e 11,7 e 12,4 km/l; respectivamente, com gasolina, com nota “A” no teste do Inmetro.

Para efeito de comparação, o Fit EXL atinge os 100 km/h em 12 s e tem máxima de 172 km/l. O consumo, por sua vez, é de 8,3 e 9,9 km/l com etanol e 12,3 e 14,1 km/l com gasolina.

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Honda WR-V 2018

Preço do WR-V é salgado

A Honda cobra R$ 79,4 mil pela versão EX do Honda WR-V e R$ 83,4 mil pela EXL. O Fit, por sua vez, é oferecido por R$ 78,9 mil na versão topo de linha EXL, que tem praticamente os mesmos equipamentos do WR-V EX; mas leva vantagem pelo sistema multimídia com tela sensível ao toque, navegador e conexão à internet.

E aí, o WR-V é um crossover ou não é?

A Honda se esforçou bastante para projetar o WR-V para o mercado brasileiro e também para o restante da América do Sul e a Índia. No entanto, no meu ponto de vista, ainda falta um bocado para chama-lo de crossover. O carro é praticamente um Fit com visual mais robusto e alterações mecânicas para encarar buracos e valetas; mas fica devendo a real estética mais atraente de um utilitário-esportivo e também um interior exclusivo. Os plásticos pretos por todos os lados denunciam a tentativa da marca em transformar o monovolume em um carro aventureiro.

Porém, ainda assim não dá para classificar o WR-V como um pseudo-aventureiro, já que o novo modelo da Honda não resume suas exclusividades apenas em um visual mais robusto e interior com grafismos diferentes; como já acontece com Chevrolet Onix Activ, Hyundai HB20X e Volkswagen CrossFox. Logo, o Honda WR-V acaba ficando num meio termo, sem ser um real crossover compacto, mas também longe de ser um aventureiro qualquer.

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Honda Fit 2017

Dá para falar que o WR-V é para quem quer um utilitário-esportivo da Honda, mas não tem cacife para levar para casa um HR-V, que parte de R$ 86,8 mil na versão automática e deve alguns equipamentos. Só que se a intenção for adquirir um crossover, independentemente da marca, há outras opções melhores, como o Chevrolet Tracker LT (com motor 1.4 turbo); Ford EcoSport FreeStyle 1.6; Renault Captur Zen 1.6; Renault Duster Dynamique 1.6; Jeep Renegade Sport 1.8 ou até mesmo o Honda HR-V LX 1.8 manual.

No entanto, mesmo com os preços elevados e algumas desvantagens em relação aos crossovers verdadeiros, o Honda WR-V vai vender bem; já que conserva as boas características do Fit e, sobretudo, detém a boa qualidade dos carros da marca, até mesmo no pós-venda.

A expectativa da marca é comercializar 17 mil unidades/ano do carro, o que dá uma média de quase 1,5 mil exemplares por mês. Ou seja, caso as previsões se concretizem, o WR-V 2018 vai superar modelos como Peugeot 2008 e Chevrolet Tracker nas vendas mensais.

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Honda WR-V 2018: crossover ou ‘Cross Fit’?